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Quereres (II)

27 ago

De repente aquela idéia estúpida de mudar pro Chile e viver de amor pareceu incrivelmente viável. Mais uma daquelas vontades que vêm e somem em questão de minutos. Vontades tão intensas que quase me quebram ao meio, mas incrivelmente voláteis.

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A (quase) certeza do incerto

21 mar

Fim da última aula do último dia de aulas da semana, estava guardando os materiais e segurando pra não jogar tudo pro alto e sair correndo dali. Foi assim que ouvi: “Eu assumo. Assumo que sou de Humanas por preguiça, porque não sei mais nada. Se soubesse isso aí (aponta para o quadro onde se vê uns gráficos, umas contas e muita Física), se soubesse… Não iria querer Jornalismo!”. Me surpreendi com o que ouvi saindo de minha própria boca.

Boa aluna fui só até a 7ª série, foi aí que a coisa desandou, fui apresentada à vida fora de casa e tudo brilhava mais do que livros e estudo. Daí pra frente é que a coisa desandou mesmo. Recuperação pela primeira vez na 7ª série and I’m not proud of that! Matemática, claro. Se ainda no Ensino Fundamental eu me ferrava, imagine no belo Ensino Médio.

Humanas são História, Geografia e Língua Portuguesa, basicamente. São ou não as matérias mais fáceis do mundo escolar? Mesmo os que têm calculadora científica acoplada ao cérebro são maisoumeninhos em Humanas, já os de Humanas… Sempre tem o aluno bocó que passa o Ensino Médio inteiro dizendo “sou de Humanas, pra que vou precisar disso na minha vida?” nas aulas das outras áreas. Esse aluno bocoió vai chegar no vestibular e acertar muito em Humanas e levar ferro em Biológicas e Exatas. Viu pra que precisa disso na sua vida, querido futuro aluno de cursinho? Precisa pra digievoluir de aluno de Ensino Médio pra calouro universitário. Ok, alright, “o sistema de ensino no Brasil é uma merda! Tá tudo errado, temos que mudar, fazer a revolução!”, blá blá blá… Só digo uma coisa: enquanto você reclama todos os dias da inutilidade das outras áreas e põe a culpa no sistema, seu concorrente está estudando. E não é só seu coleguinha de turma que está reclamando com você que é seu concorrente não, querido, há muitos outros e são eles que vão tirar as suas vagas. Isso vale pra qualquer aluno que subestima as outras áreas, não só os de Humanas. Falo diretamente para os de Humanas porque os conheço intimamente, digamos.

Penso em Jornalismo desde a 8ª série e já há algum tempo venho questionando essa minha certeza tão absoluta. De 2005 pra cá, pensei também em fazer Moda, Arquitetura e Direito. Direito foi só um surto de “poxa, todo mundo que é de Humanas quer Direito, por que não?”, mas foi algo bem rápido, já estou bem. Moda foi levado a sério por um tempinho, cheguei a recortar propagandas da Capricho de universidades que ofereciam o curso e a ter um caderninho onde eu colava imagens de peças de roupas e acesórios que gostava e, vez ou outra, arriscava uns rabiscos. Arquitetura, eis o que me deixou em dúvida algumas vezes durante o ano passado, eis o que me fez questionar minha bela e límpida fé na certeza da escolha pelo curso de Jornalismo. Desde pequerrucha convivo com o mundo dos arquitetos, já que sou filha de um. Tudo bem, pode fazer piadinha sobre a sexualidade dos arquitetos, conheço algumas boas também. Minha avó paterna tentou muitas vezes me convencer a fazer Arquitetura e tinha bons argumentos: 1) Sendo meu pai arquiteto, teria eu toda uma facilidade em algumas coisas que poderia precisar; 2) A UFG abriu o curso de Arquitetura ano passado, o que não me faria ir a Anápolis todo dia se optasse pela UEG; 3) Pra eu conseguir meu lugar ao sol no mundo do Jornalismo sem conhecer ninguém da área seria extremamente difícil. E não é que desde pequenina eu gostava do que via o papai fazendo? Mesmo depois de crescida – e de ter percebido que as olheiras do papai vinham do tanto que arquiteto é sinônimo de workaholic –, ainda simpatizava.

Eis que ontem, depois de desabafar litros pelo msn com uma amiga, vem a proposta: “Vamos fazer assim: você presta pra Arquitetura na UnB no meio do ano e eu presto pra Desenho Industrial, daí fazemos aula de desenho até lá. O que acha?”. Bom, acho algumas coisas… Acho que desenho mal, mas sempre quis aprender a desenhar. Acho que as aulas de desenho podem ocupar muito do meu tempo “livre” (também conhecido como “tempo em que você tem que fazer alguma coisa se não a idéia de que você não está fazendo nada e está no cursinho te enlouquece”), o que pode não ser bom. Acho uma boa idéia. Acho arriscado mudar de planos agora. Acho que não consigo decidir nada sozinha e preciso expôr minha confusão mental gritando no colégio e tendo uma semi-crise de choro e riso através de um post no blog.

Então, será que devo levar a sério o que minha boca falou há algumas horas? Se sim, será que devo mudar de curso? Se sim, será que não é tarde, “em cima da hora”? Justifique a sua resposta de maneira clara e concisa. 😉

O mundo todo e um apartamento

20 jan

Conversando com uma amiga, enquanto olhávamos guias de viagem e livros de algumnúmero de coisas pra fazer antes de morrer, eu falei “Quer saber como vou descobrir que o cara é o cara da minha vida? Quando estivermos no carro e eu disser ‘não volta pra casa, vamos pra numseionde!’ e ele empolgar também”. Ela concordou, até terminamos a frase juntas. Pouco antes, vimos um livro que citava Jack Kerouac na capa e não sei como posso estar viva até hoje sem ter lido On The Road, livro em que Jack relata sua viagem de 7 anos pela rota 66 com seu amigo Neal (personagem principal do livro sob o nome Dean Moriarty).

Há algum tempo (é provável que ela não lembre, já que memória não é seu forte), conversando com essa mesma amiga, ela me disse que queria um apartamento pequeno fixo, mas queria viajar muito. Até então eu nunca tinha pensado nisso, mas pouco tempo depois me deparei com a comunidade Não Patrimonialistas no Orkut, cuja descrição é “Eu quero um pequeno apartamento e viajar pelo mundo! Você também? Então entra aí!”, li e me senti intimada a me juntar a essas pessoas. Pouco tempo depois, descobri outra comunidade, a Queria uma vida “road-movie” e, mais uma vez, me identifiquei. É exatamente isso o que quero, exatamente. Quero um apartamento pequeno pra ter pra onde voltar, mas quero uma mochila, uma câmera e um lugar pra anotar tudo o que eu descobrir durante as viagens que fizer.

Hoje eu estava desanimada, ando cansada, mesmo estando de férias e sem motivos para cansaço. Minha amiga reclamou, queria a Laura livin’ la vida loca, implorou pra sairmos de noite, mas no fim ela desanimou também. A moça é estudante de Arqueologia e já faz um tempo que vem insistindo e procurando companhia pra viajar pela América do Sul e Central, mochilão mesmo, sem frescura, mesmo não sabendo espanhol. Moça cheia de grandes sonhos, de grandes dúvidas, cheia de vontade de conhecer o mundo, conhecer as civilizações antigas, conhecer outras culturas, outras histórias… E no final, voltar pro seu pequeno apartamento fixo em algum lugar, com uma mochila e várias lembranças. De alguma forma, na conversa supracitada, ela despertou em mim algo que acabou se transformando em um sonho e hoje, mais uma vez com ela, me lembrei desse sonho e não pretendo mais esquecer. Ou desistir. Mas para todos que compartilham desse sonho, quero acrescentar o que Chris McCandless aprendeu com a sua viagem into the wild: “A felicidade só é real quando compartilhada”.