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29 set

28.09.10: pensei na saudade que sinto da recente abandonada arquitetura. o primeiro período e a euforia da novidade, as tardes vigiando exposição e entregando certificados, a maluquice do fim do semestre. o segundo período e a incerteza, a falta de vontade e de entrega, os choros e a desistência. lembrei dos amigos que lá fiz e de como os quero bem. pensei nesse céu preto-avermelhado e nas primeiras chuvas. olhei pela janela. senti o cheiro da chuva se misturar ao perfume que faz meu cotidiano mais aturável e ali, naquele momento, não tive medo.

29.09.10: às vezes tudo parece tão imensamente distante. lembro claramente de momentos que aconteceram há anos e tenho a sensação de já estar longe demais de dias que aconteceram há menos de três meses. é o tempo psicológico e suas pegadinhas, é essa vida que passa tão rapidamente que tenho vontade de agarrar o agora e só largar quando estiver cansada.

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quinta, 16:08

20 maio

Já não tenho um remetente, querido. Na verdade nunca tive, escrevo pra ninguém ler, escrevo pra depois reler e só, e guardar talvez. Mas o que quero dizer (e não quero realmente) é que não tenho mais ninguém em mente quando sinto a já familiar urgência de escrever. Nos textos mais recentes, nos últimos rascunhos, pensei em uma pessoa a cada palavra, mais ou menos. Tem sido assim, penso em mil e em nenhum e acho desnecessário escrever o que já foi dito por outros. Tudo já foi dito, sentido, lido, escrito, tudo já foi inventado e eu tô aqui, cumprindo meu papel, sendo mais um clichê.

Não tenho mais muito a dizer além da saudade, clássica, típica saudade. Se hoje fico em casa e tenho sono cedo, já tive meus dias de diversão exagerada, de amnésias alcoólicas, de decisões impulsivas e todas essas pequenas loucuras que, hoje, me despertam uma saudade imensa. Essa semana tem sido dedicada à falta que sinto de um ex-companheiro de aventuras. Quando não tô pensando em nada, lembro de alguma maluquice que fizemos juntos. Não consigo dizer nada sobre ele, mas é como se cada momento que eu me lembro tivesse sido irreal de tão incrível… E hoje nem nos falamos. É aí que entra aquela breguice de dizer que tal autor fala por mim, mas preciso terminar dizendo que:

Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheia de espinhos e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressiva e tal.

16 mar

Durante muito tempo o tempo não se mostrou muito preocupado comigo, simplesmente passava e eu nem notava. As sensações ligadas à nostalgia que vêm e vão sempre, agora resolveram se mostrar mais presentes. Minha mente me surpreende ao trazer de volta coisas que nem lembrava de ter esquecido, continua tudo guardado em algumas caixas empoeiradas guardadas lá no fundo da memória. Sinto vontade de me sentar no chão dessa grande sala, abrir caixa por caixa e soprar o pó que as cobre, rever os filmes sentada em um sofá velho e ler os detalhes de cada momento fotografado.

Clap Clap! Blog

sábado, 19:07

6 mar

Às vezes me pergunto se todo mundo tem medo de crescer assim como eu tenho. De crescer e virar uma adulta normal, boring, cinza, quadrada. Falando assim parece tão impossível, sabe? Penso “mas olha a vida que eu levo! Não tem como esse ser meu destino”, mas aí me pergunto quantas adolescentes que viveram até mais irresponsavelmente, digamos, que eu e acabaram virando boas donas de casa com a mente fechada. Sabe, os hippies que cresceram e evoluíram (?) para yuppies. E não vou dar uma de Dado e dizer que eles traíram o movimento, véio, mas é esse meu medo, essa pseudo-evolução. Não que eu faça parte de uma grande revolução ou algo assim, mas não me interesso por uma vida rasa, de raspão.

É tão estranho me imaginar como adulta. Há poucos anos, “ano” era um tempo imenso. Ontem eu pensava que queria rever alguns filmes que vi na época da sétima série e… Caramba, já faz seis anos que saí da sétima série! Daí há alguns dias estava falando com a minha mãe sobre uma amiga e ela me perguntou se ela tinha emagrecido (era a menina gordinha-engraçada da turma) e eu não faço idéia de como ela está porque faz uns dois anos que não a vejo pessoalmente. Logo eu que sempre achei uma tremenda idiotice passar anos sem ver amigos (tudo bem, já não sou mais tão amiga dela, mas mesmo assim).

Acaba que mais uma vez estou escrevendo sobre o tempo. Tempo é um bem preciosíssimo que todos têm em mãos, daí não sei se é melhor ser meio neurótico como eu ou ser que nem os outros e nem pensar nisso. Aliás, nem sei se realmente existem esses outros que são tão alheios à vida assim, mas devem existir.

Se é por falta de tchau…

15 dez

O ano em que eu estaria começando uma vida nova junto com todos os meus amigos, começando o curso que decidi que queria há anos. Ah, 2009… Não passei na UEG. Não passei na UFG. Não passei na UnB. A decisão foi: já que me ferrei em tudo que tentei, vou focar no mais difícil. E fui pro cursinho pensando na UnB como a única universidade do mundo, pensando em Brasília como a cidade mais maravilhosa. É claro que com pouco tempo cansei de tudo e as listas que, a princípio estavam todas feitas, começaram a lotar a pasta das listas a fazer. Tive Jordana, minha companheira-sorriso do dia-a-dia, e nosso diário pão-com-ovo. Foi uma decisão impulsiva (típico!) dela que me fez mudar tudo de última hora. Aulas de desenho, vestibular e… Arquitetura e Urbanismo, aqui estou. O curso é lindo e puxado, alerto a todos que se interessarem.

Começar o ano em uma viagem com os amigos só podia dizer algo sobre o resto do ano: tenho os melhores amigos que alguém poderia ter. E é claro que vou continuar afirmando isso, a cada dia eles me dão mais provas de que realmente são. O meio do ano contou com a ausência física de muitos deles, mas a presença da Aninha em praticamente todos os momentos dos meus dias fez com que minhas férias fossem as melhores desde… Desde tanto tempo que nem sei quando me diverti tanto o tempo todo, nem se tive férias melhores. De chácara a perder a conta das cervejas no Martim, de dormir vendo Scarface a festas até o amanhecer, de assistir a trilogia das cores a fotos ‘comprometedoras’ online.

Um amigo já disse algumas vezes que minha vida amorosa o diverte e posso afirmar que é mesmo uma tragicomédia. Conheci através do meu motivo de fossa um ser com quem passei praticamente o ano todo num vai-e-volta aparentemente sem fim.  Me vi como parte de um desses casais-ioiô que sempre considerei imbecis, sempre pensei “por que eles não se largam de uma vez e pronto?” e agora posso responder que é porque é extremamente difícil deixar de lado quando nenhum dos dois sabe o porque de não estarem juntos quando estão separados e não conseguem se manter quando estão juntos. Tive outros pequenos rolos. Uns mais saudáveis, outros nem tanto. Nenhum duradouro, as always. Me vi como vilã sem querer ser, me vi excluindo e deletando pessoas como se não houvesse amanhã. E voltando atrás.

2009 pode ter sido chato em alguns sentidos, mas não foi tedioso. Vivi. E o que importa senão viver? Alguns dias foram todos iguais, outros tiveram seu próprio cheiro. Faltam duas semanas pro fim do ano e já me despeço. Não digo que estou com pressa pra 2010, nem quero continuar aqui em 2009, só quero férias! E pra isso preciso que o ano acabe logo, haha. Então que venha 2010 com mais 365 dias pra eu poder escrever do jeito que quiser.

All Is Full Of Love? ou Uma Linha e um Parêntesis

6 out

Às vezes eu só queria um romancezinho no estilo dos filmes água-com-açúcar pra chamar de meu.

(Lembra quando eu disse que não prometia textos pra ninguém e você disse que eu escreveria, sim, sobre você? Considere este o seu texto)

Estátua de Sal

22 mar

Tantos passos já andados e agora ouço algo que me faz parar e pensar em olhar pra trás. Como poderia ter fé em algo que nunca me deu motivos pra acreditar? Tive sonhos e meses e nada.

Os tolos pensam demais, planejam, ensaiam o que dizer e acabam nunca realizando. Eu, mesmo tola, disse. Disse várias vezes. Disse tantas vezes. Por meias palavras, talvez, mas são as meias palavras que me constroem inteira. Quem assistia entendia, por que você não entenderia? Entendia. Cansa saber que entendia. Cansa não entender. Cansa ser sua sem ser. De cansaço em cansaço, abri mão. Por meio de palavras, abri mão. Meias palavras de uma desistência inteira. Decisão tomada, segui.

Ah, prefiro continuar a andar e ouvir o som só dos meus passos a virar sal.