Arquivo | homenagem RSS feed for this section

segunda, 15:21

30 ago

Nós temos os mesmos demônios. Temos a mesma intensidade, a mesma imensa carga dramática que transforma cada dorzinha em um machucado aberto, profundo, que lateja. Queria poder te largar aqui e continuar andando sem olhar pra trás, mas é certo que não consigo mais viver sem te odiar pelo menos uma vez a cada dia. Queria tirar esse nó da garganta pra gritar bem alto esse amor que já não cabe escondido.

sábado, 21:36

21 ago

– Sabe como eu sei que sou idiota? Eu sei que sou idiota porque tô chorando por medo de enlouquecer. Tem coisa mais idiota? Você vai rir e falar que eu já sou louca e me mandar relaxar… É nessas horas que mais sinto falta dos meus amigos.

– Eu já tive isso e chorei também, então não vou falar nada. É melhor pensar que não está enlouquecendo ou simplesmente não pensar.

– É essa falta de contato com a realidade dos outros que me deixa assim, acho. Vivo só aqui, só em mim… Isso nunca fez bem a ninguém. Me acostumam com os melhores amigos do mundo, me acostumam a vê-los praticamente todos os dias durante três anos e depois me jogam nessa bosta de vida sozinha… E ainda querem que eu continue sã!

16 fev

“Tem gente que se irrita, porque eu canto que todo mundo vai pegar sua pasta e ir pro trabalho de terno, enquanto vou dormir depois de uma noite de trepadas incríveis. Mas o dia-a-dia não é poético, todo mundo dando duro e a cada minuto alguém sendo assaltado ou atropelado. Então, vamos transformar esse tédio todo numa coisa maior. Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço… Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim. Prefiro não acreditar no Day after, no fim do mundo, no apocalipse.”

“O inferno é aqui. A cabeça da gente é um inferno. E essa coisa de “o inferno são os outros” não sei não… Pra mim, que dependo muito de amigos, de carinho dos outros, não vejo a vida contra alguém. Posso até ser meio ingênuo. Essa visão de inferno e céu: eu não vejo o inferno como uma coisa ruim e o céu como bom. O céu pode ser uma chatice e o inferno uma coisa divertida. Aliás, as imagens que temos do inferno são sempre aquelas onde localizamos o demônio, as pessoas transando, se comendo. O inferno é um baile de carnaval no Monte Líbano.”

“Às vezes, fico triste, mas não consigo me sentir infeliz. Acho que o tédio é o sentimento mais moderno que existe, que define o nosso tempo. Tento fugir disso, pois tenho uma certa tendência ao tédio. Mas, felizmente, eu sou animadérrimo! Sou muito animado pra sentir tédio. Sou animado à beça, qualquer coisa me anima. Se você me convida pra ir à Barra da Tijuca, eu já digo logo: Vaaaamos!!! Qualquer besteira me anima. Tudo que já passei na minha vida não conseguiu tirar essa animação.”

Cazuza, por ele mesmo

Da diferença que palavras podem fazer

13 abr

Às vezes reclamamos por ter que ouvir certas coisas. Às vezes, por termos que esperar emails, telefonemas. Às vezes, por não sabermos falar sobre tal assunto ou até mesmo por faltar assunto. Muitas vezes o que faz toda a diferença é a palavra. O poder da palavra (e de sua ausência) é incrível. Daí minha paixão por elas em textos, filmes (movie quotes), músicas, etc.

Cada vez mais vejo pessoas se declararem procrastinadoras. Será este o novo mal estar da civilização contemporânea? Tantopralertantoprafazertantoprapensartantotudodeumavezagoratantotanto! E tudo deixado pra depois, é “tanto” demais pra tempo de menos. Ou preguiça demais. Ou preguiça demais e tempo de menos.

De vez em quando, consigo ser o cúmulo da preguiça. Soube disso ao abrir o Reader e ver que abri mão das inscrições em “Atualidades Notícias” e “Cultura”. Isso aconteceu aos poucos, cancelando as inscrições de jornal por jornal, mas acabei assinando só feeds de blogs. Agora, não assino feed de nenhum blog além dos que já tenho,  sei que vou acabar enrolando e acumulando e talvez até mesmo desistindo. Sei disso porque passei um bom tempo (meses?) sem ler o que aparecia de novo em um blog que tanto gosto, o Até aqui tudo bem.

Jusqu’ici tout va bien (ou Até aqui tudo bem) chama atenção de cara pelo nome. Mais ainda com a “explicação” do nome que aparece na descrição do blog: “É a história de um homem que cai de um prédio. Enquanto cai, ele repete para se acalmar: até aqui tá tudo bem, até aqui tá tudo bem, até aqui…”. Tem como não ficar, no mínimo, intrigado? É lendo os posts que descobrimos que o blog é feito por textos dos quais fazem parte desde relatos do cotidiano, que nos acordam para as pequenas coisas da vida, até opiniões pertinentes sobre assuntos mais sérios. Isso tudo transmitindo uma leveza e bem-estar incríveis!

Não lembro como nem quando encontrei o blog, mas sou grata por tê-lo encontrado. Aline é a pessoa por trás das palavras e eis aí uma pessoa que sabe usá-las. Daí o início deste post, hoje estava lendo alguns textos que estava enrolando para ler já há algum tempo e, ao ler um texto do “Até aqui tudo bem”, lembrei o porque de gostar tanto do blog: o poder que as palavras lá escritas têm de nos envolver.

É aí que tenho que dizer que podem enrolar o tanto que conseguirem, deixar os feeds acumulando e os emails a responder. Mas saibam, procrastinadores queridos, que palavras podem mudar seu dia, quiçá sua vida. E é por isso que recomendo acompanharem os textos no Até aqui tudo bem e também os 140 caracteres no twitter.

O mundo todo e um apartamento

20 jan

Conversando com uma amiga, enquanto olhávamos guias de viagem e livros de algumnúmero de coisas pra fazer antes de morrer, eu falei “Quer saber como vou descobrir que o cara é o cara da minha vida? Quando estivermos no carro e eu disser ‘não volta pra casa, vamos pra numseionde!’ e ele empolgar também”. Ela concordou, até terminamos a frase juntas. Pouco antes, vimos um livro que citava Jack Kerouac na capa e não sei como posso estar viva até hoje sem ter lido On The Road, livro em que Jack relata sua viagem de 7 anos pela rota 66 com seu amigo Neal (personagem principal do livro sob o nome Dean Moriarty).

Há algum tempo (é provável que ela não lembre, já que memória não é seu forte), conversando com essa mesma amiga, ela me disse que queria um apartamento pequeno fixo, mas queria viajar muito. Até então eu nunca tinha pensado nisso, mas pouco tempo depois me deparei com a comunidade Não Patrimonialistas no Orkut, cuja descrição é “Eu quero um pequeno apartamento e viajar pelo mundo! Você também? Então entra aí!”, li e me senti intimada a me juntar a essas pessoas. Pouco tempo depois, descobri outra comunidade, a Queria uma vida “road-movie” e, mais uma vez, me identifiquei. É exatamente isso o que quero, exatamente. Quero um apartamento pequeno pra ter pra onde voltar, mas quero uma mochila, uma câmera e um lugar pra anotar tudo o que eu descobrir durante as viagens que fizer.

Hoje eu estava desanimada, ando cansada, mesmo estando de férias e sem motivos para cansaço. Minha amiga reclamou, queria a Laura livin’ la vida loca, implorou pra sairmos de noite, mas no fim ela desanimou também. A moça é estudante de Arqueologia e já faz um tempo que vem insistindo e procurando companhia pra viajar pela América do Sul e Central, mochilão mesmo, sem frescura, mesmo não sabendo espanhol. Moça cheia de grandes sonhos, de grandes dúvidas, cheia de vontade de conhecer o mundo, conhecer as civilizações antigas, conhecer outras culturas, outras histórias… E no final, voltar pro seu pequeno apartamento fixo em algum lugar, com uma mochila e várias lembranças. De alguma forma, na conversa supracitada, ela despertou em mim algo que acabou se transformando em um sonho e hoje, mais uma vez com ela, me lembrei desse sonho e não pretendo mais esquecer. Ou desistir. Mas para todos que compartilham desse sonho, quero acrescentar o que Chris McCandless aprendeu com a sua viagem into the wild: “A felicidade só é real quando compartilhada”.