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segunda, 15:21

30 ago

Nós temos os mesmos demônios. Temos a mesma intensidade, a mesma imensa carga dramática que transforma cada dorzinha em um machucado aberto, profundo, que lateja. Queria poder te largar aqui e continuar andando sem olhar pra trás, mas é certo que não consigo mais viver sem te odiar pelo menos uma vez a cada dia. Queria tirar esse nó da garganta pra gritar bem alto esse amor que já não cabe escondido.

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sábado, 21:36

21 ago

– Sabe como eu sei que sou idiota? Eu sei que sou idiota porque tô chorando por medo de enlouquecer. Tem coisa mais idiota? Você vai rir e falar que eu já sou louca e me mandar relaxar… É nessas horas que mais sinto falta dos meus amigos.

– Eu já tive isso e chorei também, então não vou falar nada. É melhor pensar que não está enlouquecendo ou simplesmente não pensar.

– É essa falta de contato com a realidade dos outros que me deixa assim, acho. Vivo só aqui, só em mim… Isso nunca fez bem a ninguém. Me acostumam com os melhores amigos do mundo, me acostumam a vê-los praticamente todos os dias durante três anos e depois me jogam nessa bosta de vida sozinha… E ainda querem que eu continue sã!

9 abr

E ela dizia “O mundo, meu querido, é dividido entre as meninas bonitas e as amigas delas. E as bonitas têm tudo e todos”, ele interrompe dizendo que não é bem assim, mas ela continua: “…enquanto as amigas delas são invisíveis”.

– Nada a ver…

– É sim. E tenho cada vez mais certeza disso.

– Você é bem visivel pra mim. Bem mais que muitas, pode ter certeza.

– Não adianta, né? Ser visível pra você. Ok, eu acho legal e adorei ter dito, mas agora… eu queria que outra pessoa dissesse isso. Damn it.

Ele ri e diz pra ela relaxar. “Outros vão dizer, você precisa ter calma”. É… deve ser.

Aquelas paredes azuis. Malditas paredes azuis que sussurram as palavras certas no tempo errado.

Mais um, eu sei

4 nov

“Qual é a porra do seu problema, caralho?” foi a maneira mais sutil que ela conseguiu pensar pra quebrar o silêncio. Incômodo silêncio que se formou por incapacidade de organizar os pensamentos. Dele, claro. Na cabeça dela estava tudo bem claro, extremamente claro, mais claro só dizendo tudo. E discutindo tudo.

A resposta foi mais silêncio. Se fosse possível, a cabeça dele explodiria de tanto pensar. “Mas pra que merda serve pensar tanto e não dizer nada? Que morra então!” foi a maneira menos violenta que ela encontrou pra dizer adeus. Estavam separados fisicamente, mas durante todo o silêncio estiveram naquele quarto de paredes azuis. Naquela cama que presenciou choro, sono, riso, tesão. E agora mais um adeus. Mais um adeus pra eles chamarem de deles, mais um final pra chamarmos de nosso.

“É exatamente isso: nós não funcionamos juntos. Funciona nos primeiros dias pela saudade mútua, aquela vontade mútua de um pelo outro. Mas não tem depois. É só aquilo. Depois fica vazio. Eu não quero nada pela metade.”