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29 set

28.09.10: pensei na saudade que sinto da recente abandonada arquitetura. o primeiro período e a euforia da novidade, as tardes vigiando exposição e entregando certificados, a maluquice do fim do semestre. o segundo período e a incerteza, a falta de vontade e de entrega, os choros e a desistência. lembrei dos amigos que lá fiz e de como os quero bem. pensei nesse céu preto-avermelhado e nas primeiras chuvas. olhei pela janela. senti o cheiro da chuva se misturar ao perfume que faz meu cotidiano mais aturável e ali, naquele momento, não tive medo.

29.09.10: às vezes tudo parece tão imensamente distante. lembro claramente de momentos que aconteceram há anos e tenho a sensação de já estar longe demais de dias que aconteceram há menos de três meses. é o tempo psicológico e suas pegadinhas, é essa vida que passa tão rapidamente que tenho vontade de agarrar o agora e só largar quando estiver cansada.

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Quereres (II)

27 ago

De repente aquela idéia estúpida de mudar pro Chile e viver de amor pareceu incrivelmente viável. Mais uma daquelas vontades que vêm e somem em questão de minutos. Vontades tão intensas que quase me quebram ao meio, mas incrivelmente voláteis.

sábado, 21:36

21 ago

– Sabe como eu sei que sou idiota? Eu sei que sou idiota porque tô chorando por medo de enlouquecer. Tem coisa mais idiota? Você vai rir e falar que eu já sou louca e me mandar relaxar… É nessas horas que mais sinto falta dos meus amigos.

– Eu já tive isso e chorei também, então não vou falar nada. É melhor pensar que não está enlouquecendo ou simplesmente não pensar.

– É essa falta de contato com a realidade dos outros que me deixa assim, acho. Vivo só aqui, só em mim… Isso nunca fez bem a ninguém. Me acostumam com os melhores amigos do mundo, me acostumam a vê-los praticamente todos os dias durante três anos e depois me jogam nessa bosta de vida sozinha… E ainda querem que eu continue sã!

quinta, 16:08

20 maio

Já não tenho um remetente, querido. Na verdade nunca tive, escrevo pra ninguém ler, escrevo pra depois reler e só, e guardar talvez. Mas o que quero dizer (e não quero realmente) é que não tenho mais ninguém em mente quando sinto a já familiar urgência de escrever. Nos textos mais recentes, nos últimos rascunhos, pensei em uma pessoa a cada palavra, mais ou menos. Tem sido assim, penso em mil e em nenhum e acho desnecessário escrever o que já foi dito por outros. Tudo já foi dito, sentido, lido, escrito, tudo já foi inventado e eu tô aqui, cumprindo meu papel, sendo mais um clichê.

Não tenho mais muito a dizer além da saudade, clássica, típica saudade. Se hoje fico em casa e tenho sono cedo, já tive meus dias de diversão exagerada, de amnésias alcoólicas, de decisões impulsivas e todas essas pequenas loucuras que, hoje, me despertam uma saudade imensa. Essa semana tem sido dedicada à falta que sinto de um ex-companheiro de aventuras. Quando não tô pensando em nada, lembro de alguma maluquice que fizemos juntos. Não consigo dizer nada sobre ele, mas é como se cada momento que eu me lembro tivesse sido irreal de tão incrível… E hoje nem nos falamos. É aí que entra aquela breguice de dizer que tal autor fala por mim, mas preciso terminar dizendo que:

Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheia de espinhos e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressiva e tal.

15 maio

Eu devo estar ficando louca. Tô mesmo, tô perdendo o contato com a realidade. Meu único compromisso é ir à terapia uma vez por semana. Saio de casa uma vez por semana! Nos outros dias levanto e vou dormir e no tempo entre um e outro fico fazendo nada online. É o que tem pra hoje. E pra amanhã. E depois.

Um dia eu vou sentir falta de todo esse tempo livre, claro,  mas já cansei de todo esse descanso. E o período (normal) de férias nem começou ainda, porra!

Hoje é sábado e eu vou ficar em casa. Sabe por que? Porque eu gastei dinheiro com táxi semana passada e tô só com 3,50 na carteira. Tá achando que é lindo ficar sem fazer nada? Que você ia sair toda noite, beber muito e trepar com meio mundo? Na verdade eu passo o dia todo vendo seriados e twittando. Bonito, né? Grandes bosta.

Hesitar

5 abr

Eu tô ali e ouço de fundo a discussão de duas pessoas. Uma mulher e um homem. Não é uma discussão-briga, é só uma menina tentando explicar pra um cara os sinais que as mulheres dão quando estão afim. Eu tô ali pensando há eras se devo ou não tocar sua perna, te pedir um abraço, sei lá, qualquer coisa pra essa vontade súbita de toque. Aí ouço a guria dizer que toque é o sinal definitivo do sim. Me toco do que tá acontecendo e penso que não posso ficar assim, me jogando pra cima de alguém. Mas eu não tava nem perto disso, eu só tava ali, sentada perto de você, pensando. Daí penso que você deve saber que por trás de todas as brincadeirinhas eu tô dizendo que quero, que não fico nessa de te tocar porque ao vivo é muito mais foda do que online. Daí penso que tenho que escrever sobre isso porque acordei seis da manhã e perdi a van pra faculdade e tô com um puta gosto de cabo de guarda-chuva na boca e levantei da cama cantando Fresno. “Mas isso não vai prestar”, é o meu pensamento óbvio. Porque aí aquele nosso amigo em comum pode assinar o feed do meu blog. E ele vai te mostrar e vocês vão falar sobre mim e achar que eu tô apaixonada por você e não é isso. É só vontade de te abraçar. Vontade de mostrar ali, naquele momento em que todos estão sentados no chão, que eu quero que você me toque de volta. E nem é na conotação sexual da palavra, é só, sei lá, você pôr a mão no meu joelho também. Porque em filmes (lá vou eu falando de filmes e séries e qualquer coisa irreal na qual eu não posso me basear, mas me baseio) é dessa cena que cortam pra outra na qual estão os dois em um quarto se beijando freneticamente e tirando suas respectivas roupas.

Mas é claro que eu não toco sua perna, né. Sou mestre em ficar só na vontade. Covarde. Eu poderia terminar dizendo que a partir de hoje, 5 de Abril de 2010, eu não vou mais passar vontade, mas god only knows how hard I try. A verdade é que quando eu me importo, eu não consigo dar um passo sem a certeza de que posso. Não importa tanto se vou levar um fora (importa sim), o que importa é que vai ser de alguém que eu realmente quero. E nem é na conotação fofinha-manhosa de querer (talvez nessa também). Afinal, que que custa ficar mais de uma vez com uma pessoa? Porque, sério, isso só serve pra sentir o gostinho de como é e ficar no quero mais. Soou brega? Sou brega.

Daí eu vou embora com vontade de ter te abraçado durante uma meia-hora. Ou uma hora e meia. Em matéria de dedo podre, eu dou aula.

Auf Achse

22 mar

Ok, vamos falar sobre essa estranha sensação que tenho quando volto à rotina, é mais ou menos assim: DESESPERO. É eu pôr os pés dentro de casa depois de uma viagem (ou quando é final de férias, ou em noites de domingo, ou) e pronto: me entedio só de olhar pra minha lista de contatos, os cômodos daqui de casa me sufocam e, não mais que de repente, a cidade começa a sugar todo o meu ânimo no maior estilo dementador* de ser. E não há muito o que fazer, né? O que faço normalmente é conviver com isso até me acostumar com o dia-a-dia boring de novo e esquecer como é bem mais legal um final de semana na casa de uma amiga em Brasília do que ter que virar a noite fazendo trabalhos da faculdade (coisa que é mais na teoria do que na prática, porque até hoje não entrei no clima da faculdade e já sinto cheiro da merda se aproximando). “Você quer que sua vida seja uma festa, Laura?”, vocês perguntam, e eu respondo: NÃO, minha gente. Eu só queria ser uma pessoa normal que não sente esse desespero infundado toda vez que volta pro cotidiano, entendeu? Porque, sério, por mais que isso dure pouco (não mais que três dias, normalmente), é uma agonia do caralho e eu nem curto ficar agoniada, sacomé, é meio incômodo.

P.S.: O título não tem nada a ver com o texto, só queria deixar registrado que o show do Franz foi lindo e começou com uma das minhas três músicas preferidas deles.

*Por algum motivo obscuro ando citando Harry Potter em quase tudo que digo. Queria muito saber porque, mas nem sei e.