Arquivo | março, 2010

Auf Achse

22 mar

Ok, vamos falar sobre essa estranha sensação que tenho quando volto à rotina, é mais ou menos assim: DESESPERO. É eu pôr os pés dentro de casa depois de uma viagem (ou quando é final de férias, ou em noites de domingo, ou) e pronto: me entedio só de olhar pra minha lista de contatos, os cômodos daqui de casa me sufocam e, não mais que de repente, a cidade começa a sugar todo o meu ânimo no maior estilo dementador* de ser. E não há muito o que fazer, né? O que faço normalmente é conviver com isso até me acostumar com o dia-a-dia boring de novo e esquecer como é bem mais legal um final de semana na casa de uma amiga em Brasília do que ter que virar a noite fazendo trabalhos da faculdade (coisa que é mais na teoria do que na prática, porque até hoje não entrei no clima da faculdade e já sinto cheiro da merda se aproximando). “Você quer que sua vida seja uma festa, Laura?”, vocês perguntam, e eu respondo: NÃO, minha gente. Eu só queria ser uma pessoa normal que não sente esse desespero infundado toda vez que volta pro cotidiano, entendeu? Porque, sério, por mais que isso dure pouco (não mais que três dias, normalmente), é uma agonia do caralho e eu nem curto ficar agoniada, sacomé, é meio incômodo.

P.S.: O título não tem nada a ver com o texto, só queria deixar registrado que o show do Franz foi lindo e começou com uma das minhas três músicas preferidas deles.

*Por algum motivo obscuro ando citando Harry Potter em quase tudo que digo. Queria muito saber porque, mas nem sei e.
16 mar

Durante muito tempo o tempo não se mostrou muito preocupado comigo, simplesmente passava e eu nem notava. As sensações ligadas à nostalgia que vêm e vão sempre, agora resolveram se mostrar mais presentes. Minha mente me surpreende ao trazer de volta coisas que nem lembrava de ter esquecido, continua tudo guardado em algumas caixas empoeiradas guardadas lá no fundo da memória. Sinto vontade de me sentar no chão dessa grande sala, abrir caixa por caixa e soprar o pó que as cobre, rever os filmes sentada em um sofá velho e ler os detalhes de cada momento fotografado.

Clap Clap! Blog

Sobre filmes e meninas bonitas e meninos bobões

15 mar

O nerdzinho resolve bancar o herói, salva a moça bonita do perigo, põe o cabelo dela por trás da orelha e a beija. É isso. É nessa cena em que eu derreto.

Me apaixono por personagens e situações de filmes. Sempre. Me chame de hipócrita por achar gracinha tudo que esses bobões de cinema fazem, continuo/continuarei achando. E sempre vou ter raiva da menina bonita e até listo meus três principais motivos: 1) Eu não acredito que a menina bonita vai acabar a história com o bobão e isso sempre me faz ter vontade de entar na tela e bater na cara dela pra ela parar de iludir o pobre guri; 2) Eu, assim como os bobões da vida real que estão vendo o filme, me apaixono por ela; 3) Eu nunca vou ser a menina bonita que de tão bonita faz todo mundo no cinema se apaixonar por ela e fica com o gracinha no final.

O terceiro motivo é o maior. Minha vontade é de matar todas essas meninas bonitas de filme e todas essas meninas bonitas da vida real porque eu não sou parte desse clubinho privado e não tenho previsão pra receber um convite. Eu sei que não sou tão bonita quanto elas, sad but true. Me chame de invejosa, vai. A menina é linda e ainda termina com o gracinha. Ah, vá…

Enfim, foi assim que eu saí da sessão de Zombieland agora a pouco, puta de raiva da Wichita. É injusto, Wichita, e você sabe disso.

P.S.: Zombieland é um filme sensacional e todo mundo tem que ver, tipo, agora.

P.S.2: Se você é um bobão da vida real e tá lendo isso e pensando que não quer ficar com a bonitona no final da história… Aham, tá. Todo Seth quer uma Summer, meus queridos. E as Annas sabem disso. Não que eu ache a Anna a definição de uma menina normal, mas é a melhor comparação que pude fazer.

sábado, 19:07

6 mar

Às vezes me pergunto se todo mundo tem medo de crescer assim como eu tenho. De crescer e virar uma adulta normal, boring, cinza, quadrada. Falando assim parece tão impossível, sabe? Penso “mas olha a vida que eu levo! Não tem como esse ser meu destino”, mas aí me pergunto quantas adolescentes que viveram até mais irresponsavelmente, digamos, que eu e acabaram virando boas donas de casa com a mente fechada. Sabe, os hippies que cresceram e evoluíram (?) para yuppies. E não vou dar uma de Dado e dizer que eles traíram o movimento, véio, mas é esse meu medo, essa pseudo-evolução. Não que eu faça parte de uma grande revolução ou algo assim, mas não me interesso por uma vida rasa, de raspão.

É tão estranho me imaginar como adulta. Há poucos anos, “ano” era um tempo imenso. Ontem eu pensava que queria rever alguns filmes que vi na época da sétima série e… Caramba, já faz seis anos que saí da sétima série! Daí há alguns dias estava falando com a minha mãe sobre uma amiga e ela me perguntou se ela tinha emagrecido (era a menina gordinha-engraçada da turma) e eu não faço idéia de como ela está porque faz uns dois anos que não a vejo pessoalmente. Logo eu que sempre achei uma tremenda idiotice passar anos sem ver amigos (tudo bem, já não sou mais tão amiga dela, mas mesmo assim).

Acaba que mais uma vez estou escrevendo sobre o tempo. Tempo é um bem preciosíssimo que todos têm em mãos, daí não sei se é melhor ser meio neurótico como eu ou ser que nem os outros e nem pensar nisso. Aliás, nem sei se realmente existem esses outros que são tão alheios à vida assim, mas devem existir.

quinta-feira, 22:51

4 mar

É completamente patético querer sentir algo. Eu acho, acho mesmo, acho patético, acho estúpido, acho a minha cara. A cara de quem nunca fica satisfeita muito tempo com o que tem. A cara daquela criança que ama o brinquedo novo mais que tudo, mas abandona na segunda semana.

Acho explícito demais quem twitta que quer um namorado. Acho incrível, acho exatamente o tipo de coisa que escrevo e apago. Aqueles posts que você chega a corrigir os erros pra depois pensar que não deve ser tão você assim em público. Sabe? Eu sei que sabe.

O mundo tá procurando compromisso, meus amigos que mais gostam de “sair pra noite” estão procurando compromisso… Medonho. Tá todo mundo tão carente assim? Acho que é mais que isso, acho que é cansaço daquela mesmice. Aquela mesmice de nunca ser o mesmo, de sempre ser o novo, de nunca ter continuidade. Tá todo mundo procurando um pouquinho de calma, um pouquinho de romance, um pouquinho daqueles problemas que vemos em filmes e invejamos. Eu quero esses problemas pra mim.

Lembro de ter dito há poucos meses que sentia falta de como era quando eu não gostava de ninguém. Esse não ter em quem pensar quando não se tem nada pra pensar, esse não ter uma mensagem logo de manhã que te faça sorrir que nem bobo, esse não ter uma pessoa em específico com quem você se preocupa até mais do que consigo mesmo. Agora eu sinto falta de sentir falta disso. Porque passo o dia todo vendo lindas imagens e lindos textos e não me vem ninguém à cabeça. Ok, às vezes vem um, às vezes outro, mas não aquela pessoa.

A vida é feita de desencontros e de noites de sexta-feira passadas no msn dando conselhos amorosos pro ex. E de descobrir que não sou tão idiota assim como eu penso quando estou de tpm. E de descobrir que se eu tiver alguém pra me ligar todo final de tarde e me fazer entrar naquela calça de malha, eu vou malhar todo dia. Na verdade eu ainda não sei direito do que a vida é feita, mas de vez em quando tenho muito medo que ela não seja tão excitante quanto eu espero que ela seja.