Arquivo | dezembro, 2009

Se é por falta de tchau…

15 dez

O ano em que eu estaria começando uma vida nova junto com todos os meus amigos, começando o curso que decidi que queria há anos. Ah, 2009… Não passei na UEG. Não passei na UFG. Não passei na UnB. A decisão foi: já que me ferrei em tudo que tentei, vou focar no mais difícil. E fui pro cursinho pensando na UnB como a única universidade do mundo, pensando em Brasília como a cidade mais maravilhosa. É claro que com pouco tempo cansei de tudo e as listas que, a princípio estavam todas feitas, começaram a lotar a pasta das listas a fazer. Tive Jordana, minha companheira-sorriso do dia-a-dia, e nosso diário pão-com-ovo. Foi uma decisão impulsiva (típico!) dela que me fez mudar tudo de última hora. Aulas de desenho, vestibular e… Arquitetura e Urbanismo, aqui estou. O curso é lindo e puxado, alerto a todos que se interessarem.

Começar o ano em uma viagem com os amigos só podia dizer algo sobre o resto do ano: tenho os melhores amigos que alguém poderia ter. E é claro que vou continuar afirmando isso, a cada dia eles me dão mais provas de que realmente são. O meio do ano contou com a ausência física de muitos deles, mas a presença da Aninha em praticamente todos os momentos dos meus dias fez com que minhas férias fossem as melhores desde… Desde tanto tempo que nem sei quando me diverti tanto o tempo todo, nem se tive férias melhores. De chácara a perder a conta das cervejas no Martim, de dormir vendo Scarface a festas até o amanhecer, de assistir a trilogia das cores a fotos ‘comprometedoras’ online.

Um amigo já disse algumas vezes que minha vida amorosa o diverte e posso afirmar que é mesmo uma tragicomédia. Conheci através do meu motivo de fossa um ser com quem passei praticamente o ano todo num vai-e-volta aparentemente sem fim.  Me vi como parte de um desses casais-ioiô que sempre considerei imbecis, sempre pensei “por que eles não se largam de uma vez e pronto?” e agora posso responder que é porque é extremamente difícil deixar de lado quando nenhum dos dois sabe o porque de não estarem juntos quando estão separados e não conseguem se manter quando estão juntos. Tive outros pequenos rolos. Uns mais saudáveis, outros nem tanto. Nenhum duradouro, as always. Me vi como vilã sem querer ser, me vi excluindo e deletando pessoas como se não houvesse amanhã. E voltando atrás.

2009 pode ter sido chato em alguns sentidos, mas não foi tedioso. Vivi. E o que importa senão viver? Alguns dias foram todos iguais, outros tiveram seu próprio cheiro. Faltam duas semanas pro fim do ano e já me despeço. Não digo que estou com pressa pra 2010, nem quero continuar aqui em 2009, só quero férias! E pra isso preciso que o ano acabe logo, haha. Então que venha 2010 com mais 365 dias pra eu poder escrever do jeito que quiser.

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5 dez

As cortinas amareladas do pôr-do-sol. Ela de perfil e a luz que vinha de trás, fraca, revelando seu corpo nu através do lençol fino. O dia era quente e a voz dela ecoava sozinha por todo o quarto e dentro da minha cabeça. Ela nem percebia, mas fazia horas que eu só ouvia as palavras que fluíam sem vergonha alguma de seus lábios empolgados. Ela discorria sobre tudo o que passava por sua cabeça, atropelando assuntos, dando pequenos saltos quando lembrava de alguma coisa de sua infância e rindo sozinha de algumas lembranças bobas. Minha cena preferida era a que agora se repetia: ela balançava a cabeça pra trás com um sorriso malicioso nos lábios, primeiro em silêncio, pra logo depois pular pra cima de mim e contar bem baixinho – como se houvessem outras pessoas ali que não podiam escutar – sobre alguma sacanagem que fez quando mais nova, naquela época em que cortou os cabelos no ombro e resolveu que preto era a cor da revolução que queria fazer. Algumas vezes eu senti muita vontade de dizer algo, qualquer coisa, só pra ver se minha voz ainda combinava com a dela, mas logo desistia com medo de estragar aquele monólogo perfeito. Aquela seqüência de cenas que seria só minha. Ela não tinha idéia de como o cabelo dela ficava lindo naquele comecinho alaranjado de noite. Ondas castanhas até o meio das costas. Eu quis absorver cada detalhe daquele dia, me lembrava perfeitamente de cada pausa que ela fazia entre um assunto e outro, de como o silêncio parecia seguro com ela ali. Às vezes me perdia nos movimentos de suas mãos, pareciam uma coreografia ensaiada ao som das palavras que jorravam sem fim.

O quarto estava escuro agora, iluminado por algumas luzes que vinham da rua. As frases pareciam mais lentas, cada vez mais pausas. Fechei os olhos pra me concentrar no cheiro do quarto, o cheiro de nossos corpos preguiçosos o dia todo naquele colchão. Enfim ela se deitou ao meu lado, senti sua respiração quente no meu rosto, senti seus cílios fazerem cócegas nas minhas pálpebras fechadas.