Arquivo | novembro, 2009

Some Pointless and Weird Words

30 nov

Querido, depois de um tempo perco a raiva pelo caminho e reencontro a saudade.

É óbvio esse querer voltar atrás depois de algum tempo dando voltas. O caminho é familiar, marcado por incontáveis passos idênticos entregando o sem-número de vezes que meus pés passaram por ali. Depois de algum tempo, o que reaparece é a vontade. Vontade óbvia, animal, que faz procurar por cheiros e toques familiares. Nada de mais, só vontade. Vontade óbvia. Animal.

Na arte de manter minhas promessas para mim mesma, eu sou um fiasco.
Já na arte de bater com a cabeça contra a parede repetidas vezes, ah!, nessa eu sou uma gênia. Sabe como é, a prática leva à perfeição.

crushcrushcrush

21 nov

Peguei meus fones ao me cobrir com o edredom e comecei a viagem ouvindo aquela voz rouca tão familiar cantando meus rockzinhos. Ainda boiava no mar da semiconsciência sem conseguir afundar e me perder de vez até ser acordada pelo sol iluminando todo o quarto logo cedo, como era o planejado. Fui cambaleando até a cadeira, “invisível” conversei com dois amigos. Isso de insônia é algo que praticamente desconheço, não faço parte do encosta-dorme clube, mas durmo normalmente, tenho sono quando devo.

Desliguei o computador num só gesto e resolvi voltar ao meu mar. Deitei, me enrosquei no edredom, abracei o travesseiro e percebi que cabia perfeitamente mais uma pessoa ali. Não voltei ao meu rockzinho, dormi.

PS: Aposto como o que tenho lido recentemente tem influenciado em todas essas pequenas mudanças. Logo saberei.

Mais um, eu sei

4 nov

“Qual é a porra do seu problema, caralho?” foi a maneira mais sutil que ela conseguiu pensar pra quebrar o silêncio. Incômodo silêncio que se formou por incapacidade de organizar os pensamentos. Dele, claro. Na cabeça dela estava tudo bem claro, extremamente claro, mais claro só dizendo tudo. E discutindo tudo.

A resposta foi mais silêncio. Se fosse possível, a cabeça dele explodiria de tanto pensar. “Mas pra que merda serve pensar tanto e não dizer nada? Que morra então!” foi a maneira menos violenta que ela encontrou pra dizer adeus. Estavam separados fisicamente, mas durante todo o silêncio estiveram naquele quarto de paredes azuis. Naquela cama que presenciou choro, sono, riso, tesão. E agora mais um adeus. Mais um adeus pra eles chamarem de deles, mais um final pra chamarmos de nosso.

“É exatamente isso: nós não funcionamos juntos. Funciona nos primeiros dias pela saudade mútua, aquela vontade mútua de um pelo outro. Mas não tem depois. É só aquilo. Depois fica vazio. Eu não quero nada pela metade.”