Pronto, falei

1 out

Há muito a dizer, sempre há. Mesmo no silêncio de uma folha em branco, mesmo no silêncio de uma sessão escura de cinema, mesmo no silêncio eterno do hiato criativo. Há o medo de estar só se repetindo sempre, texto atrás de texto, sempre os mesmos temas, sempre a mesma agonia que leva a escrever, a vontade incontrolável de dizer tudo de uma vez. Aquela velha agonia adolescente de guardar tudo pra si ou de, caso resolva dizer algo, ouvir uma tentativa de consolo pós-desabafo. E se eu quiser dizer? Eu só quero digitar e postar, só quero gritar e ouvir o silêncio depois. Não estou pedindo um ombro amigo, uma mãozinha besta pra bater nas minhas costas num gesto que deveria dizer que vai tudo ficar bem, mesmo que eu não queira tudo bem. Quer coisa mais sem graça do que tudo no seu devido lugar?

É incrível como algumas pessoas são ligadas, mesmo que ambas mudem, mesmo que mudem e se tornem outras pessoas, sempre arrepiarão depois de um certo verso, sempre dirão “era exatamente isso que eu ia dizer agora!”. Suspeito que essas sejam as almas-gêmeas. E ouvi dizer que “soulmates never die”.

A calmaria pode levar à confusão. Pelo menos de uma mente que precisa sempre de uma sacudida, de um “momento uepa”. Quem cita Vídeo Show em um texto, meu deus? Haha.

Tempo demais sem ler, sem escrever… Emburrecer faz parte? Aliás, e quando alguém que já se julgou tão diferente se descobre raso? Existem as pessoas profundas, aquelas que entendem do que dizem, aquelas que nunca reclamarão de falta de argumentos. Existem as pessoas vazias, aquelas que são só a capa mesmo e ninguém espera mais do que isso. Mas existe um tipo pior de pessoa, a rasa. A pessoa rasa é aquela que você vê e sabe que não é superficial, mas quando começa a explorar vem a decepção: na verdade a pessoa não é muito mais do que aquilo que parecia à primeira vista. Ela parece interessante, intrigante, mas não passa daquilo. Parece, só.

Ah, mas o que importa são as pausas na loucura do dia-a-dia.

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2 Respostas to “Pronto, falei”

  1. Riccardo Joss outubro 3, 2009 às 1:14 am #

    Uepa! Estava sentindo falta de seus escritos. Beijo.

  2. Raíssa outubro 9, 2009 às 9:05 pm #

    Se isso é você “emburrecida”, sinto dizer, mas seu texto não parece escrito por alguém que esteja passando por esse processo, nunca!
    Adoro dizer “pessoa rasa”, me faz lembrar das nossas conversas sobre isso quando fugíamos da aula de segunda à tarde no Ambiente.

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