Arquivo | abril, 2009

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23 abr

Queria mesmo conversar com alguém, dizer que reli o e-mail que mandei pra alguém agora desimportante, mas voltei no tempo. Não, na verdade queria discutir algo importante, algo que ouvi hoje na rádio no caminho pro colégio, talvez dizer sobre o tom irônico na voz do jornalista ao encerrar a entrevista, talvez sobre a matéria sobre escassez de água que estou lendo.

Passa mais uma tarde e fico esperando dizer algo, resolver tudo. “Não quero, não dá” e fim. “Manda pro conserto, foda-se as fotos, só quero que funcione” e pronto. Tagarelice é só efeito colateral da falta do que dizer, no final penso só “I’m just saying…” e nada, não estou dizendo nada.

Peço férias e reclamo dos feriados. Pra que tanto feriado? Pra cortar o ânimo, dar aquele gostinho de “tenho tempo” e acabar do nada, numa terça-feira. Férias em breve, mas antes outra prova importante. Poderia ser “A” prova importante, mas será só mais uma, eu sei. Quanto um ser humano consegue enrolar? Eu digo: três meses e quatro pastas cheias de folhas vazias.

Agora é a vez das promessas: nunca mais releio e-mail pra alguém “agora desimportante”, discutirei coisas importantes e opinarei, direi o que tenho a dizer, não direi o que não tenho a dizer, não contarei os dias pros dias de folga, não reclamarei das oportunidades de ter mais tempo, não esperarei uma quinta pasta encher. Não prometerei nada que não possa cumprir. E descumprirei sempre o que puder, eu sei.

Da diferença que palavras podem fazer

13 abr

Às vezes reclamamos por ter que ouvir certas coisas. Às vezes, por termos que esperar emails, telefonemas. Às vezes, por não sabermos falar sobre tal assunto ou até mesmo por faltar assunto. Muitas vezes o que faz toda a diferença é a palavra. O poder da palavra (e de sua ausência) é incrível. Daí minha paixão por elas em textos, filmes (movie quotes), músicas, etc.

Cada vez mais vejo pessoas se declararem procrastinadoras. Será este o novo mal estar da civilização contemporânea? Tantopralertantoprafazertantoprapensartantotudodeumavezagoratantotanto! E tudo deixado pra depois, é “tanto” demais pra tempo de menos. Ou preguiça demais. Ou preguiça demais e tempo de menos.

De vez em quando, consigo ser o cúmulo da preguiça. Soube disso ao abrir o Reader e ver que abri mão das inscrições em “Atualidades Notícias” e “Cultura”. Isso aconteceu aos poucos, cancelando as inscrições de jornal por jornal, mas acabei assinando só feeds de blogs. Agora, não assino feed de nenhum blog além dos que já tenho,  sei que vou acabar enrolando e acumulando e talvez até mesmo desistindo. Sei disso porque passei um bom tempo (meses?) sem ler o que aparecia de novo em um blog que tanto gosto, o Até aqui tudo bem.

Jusqu’ici tout va bien (ou Até aqui tudo bem) chama atenção de cara pelo nome. Mais ainda com a “explicação” do nome que aparece na descrição do blog: “É a história de um homem que cai de um prédio. Enquanto cai, ele repete para se acalmar: até aqui tá tudo bem, até aqui tá tudo bem, até aqui…”. Tem como não ficar, no mínimo, intrigado? É lendo os posts que descobrimos que o blog é feito por textos dos quais fazem parte desde relatos do cotidiano, que nos acordam para as pequenas coisas da vida, até opiniões pertinentes sobre assuntos mais sérios. Isso tudo transmitindo uma leveza e bem-estar incríveis!

Não lembro como nem quando encontrei o blog, mas sou grata por tê-lo encontrado. Aline é a pessoa por trás das palavras e eis aí uma pessoa que sabe usá-las. Daí o início deste post, hoje estava lendo alguns textos que estava enrolando para ler já há algum tempo e, ao ler um texto do “Até aqui tudo bem”, lembrei o porque de gostar tanto do blog: o poder que as palavras lá escritas têm de nos envolver.

É aí que tenho que dizer que podem enrolar o tanto que conseguirem, deixar os feeds acumulando e os emails a responder. Mas saibam, procrastinadores queridos, que palavras podem mudar seu dia, quiçá sua vida. E é por isso que recomendo acompanharem os textos no Até aqui tudo bem e também os 140 caracteres no twitter.