A (quase) certeza do incerto

21 mar

Fim da última aula do último dia de aulas da semana, estava guardando os materiais e segurando pra não jogar tudo pro alto e sair correndo dali. Foi assim que ouvi: “Eu assumo. Assumo que sou de Humanas por preguiça, porque não sei mais nada. Se soubesse isso aí (aponta para o quadro onde se vê uns gráficos, umas contas e muita Física), se soubesse… Não iria querer Jornalismo!”. Me surpreendi com o que ouvi saindo de minha própria boca.

Boa aluna fui só até a 7ª série, foi aí que a coisa desandou, fui apresentada à vida fora de casa e tudo brilhava mais do que livros e estudo. Daí pra frente é que a coisa desandou mesmo. Recuperação pela primeira vez na 7ª série and I’m not proud of that! Matemática, claro. Se ainda no Ensino Fundamental eu me ferrava, imagine no belo Ensino Médio.

Humanas são História, Geografia e Língua Portuguesa, basicamente. São ou não as matérias mais fáceis do mundo escolar? Mesmo os que têm calculadora científica acoplada ao cérebro são maisoumeninhos em Humanas, já os de Humanas… Sempre tem o aluno bocó que passa o Ensino Médio inteiro dizendo “sou de Humanas, pra que vou precisar disso na minha vida?” nas aulas das outras áreas. Esse aluno bocoió vai chegar no vestibular e acertar muito em Humanas e levar ferro em Biológicas e Exatas. Viu pra que precisa disso na sua vida, querido futuro aluno de cursinho? Precisa pra digievoluir de aluno de Ensino Médio pra calouro universitário. Ok, alright, “o sistema de ensino no Brasil é uma merda! Tá tudo errado, temos que mudar, fazer a revolução!”, blá blá blá… Só digo uma coisa: enquanto você reclama todos os dias da inutilidade das outras áreas e põe a culpa no sistema, seu concorrente está estudando. E não é só seu coleguinha de turma que está reclamando com você que é seu concorrente não, querido, há muitos outros e são eles que vão tirar as suas vagas. Isso vale pra qualquer aluno que subestima as outras áreas, não só os de Humanas. Falo diretamente para os de Humanas porque os conheço intimamente, digamos.

Penso em Jornalismo desde a 8ª série e já há algum tempo venho questionando essa minha certeza tão absoluta. De 2005 pra cá, pensei também em fazer Moda, Arquitetura e Direito. Direito foi só um surto de “poxa, todo mundo que é de Humanas quer Direito, por que não?”, mas foi algo bem rápido, já estou bem. Moda foi levado a sério por um tempinho, cheguei a recortar propagandas da Capricho de universidades que ofereciam o curso e a ter um caderninho onde eu colava imagens de peças de roupas e acesórios que gostava e, vez ou outra, arriscava uns rabiscos. Arquitetura, eis o que me deixou em dúvida algumas vezes durante o ano passado, eis o que me fez questionar minha bela e límpida fé na certeza da escolha pelo curso de Jornalismo. Desde pequerrucha convivo com o mundo dos arquitetos, já que sou filha de um. Tudo bem, pode fazer piadinha sobre a sexualidade dos arquitetos, conheço algumas boas também. Minha avó paterna tentou muitas vezes me convencer a fazer Arquitetura e tinha bons argumentos: 1) Sendo meu pai arquiteto, teria eu toda uma facilidade em algumas coisas que poderia precisar; 2) A UFG abriu o curso de Arquitetura ano passado, o que não me faria ir a Anápolis todo dia se optasse pela UEG; 3) Pra eu conseguir meu lugar ao sol no mundo do Jornalismo sem conhecer ninguém da área seria extremamente difícil. E não é que desde pequenina eu gostava do que via o papai fazendo? Mesmo depois de crescida – e de ter percebido que as olheiras do papai vinham do tanto que arquiteto é sinônimo de workaholic –, ainda simpatizava.

Eis que ontem, depois de desabafar litros pelo msn com uma amiga, vem a proposta: “Vamos fazer assim: você presta pra Arquitetura na UnB no meio do ano e eu presto pra Desenho Industrial, daí fazemos aula de desenho até lá. O que acha?”. Bom, acho algumas coisas… Acho que desenho mal, mas sempre quis aprender a desenhar. Acho que as aulas de desenho podem ocupar muito do meu tempo “livre” (também conhecido como “tempo em que você tem que fazer alguma coisa se não a idéia de que você não está fazendo nada e está no cursinho te enlouquece”), o que pode não ser bom. Acho uma boa idéia. Acho arriscado mudar de planos agora. Acho que não consigo decidir nada sozinha e preciso expôr minha confusão mental gritando no colégio e tendo uma semi-crise de choro e riso através de um post no blog.

Então, será que devo levar a sério o que minha boca falou há algumas horas? Se sim, será que devo mudar de curso? Se sim, será que não é tarde, “em cima da hora”? Justifique a sua resposta de maneira clara e concisa. 😉

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3 Respostas to “A (quase) certeza do incerto”

  1. ândre março 21, 2009 às 1:38 pm #

    laura louca, beijos. morro de medo desses seus surtos psicóticos e afins. desde que te conheço, não consigo desassociar a idéia de jornalismo de você. era isso e prontacabou, mano. porém, eu vi outros bloqueios no próprio mundo do jornalismo pra você. agora você falou de arquitetura (eu sei, já tinha falado antes), e, pensando bem, não é uma coisa muito distante de você (insira aqui o comentário ” lógico, o pai dela é arquiteto”), até é meique sua cara. esqueça esse negoço de humanas-conformado. concentre-se no aspecto jornalismo ou arquitetura (ou outra dúvida). isso é uma decisão que só você pode tomar. ninguém pode escolher a profissão que você quer seguir.além de você, claro. por mais que sua cabeça esteja confusa, você esteja fisicamente e psicológicamente cansada, as pessoas não podem te mostra “o caminho” certo a se seguir. eu acho que não está tarde, nem em cima da hora. dizem que o cursinho amadurece as pessoas, né? pense por si só.

  2. Riccardo Joss março 21, 2009 às 3:06 pm #

    Arquitetura é um curso muito legal e você tem um pai na área. Nao sei se é um bom argumento, pois você pode querer estudar fonoaudiologia. Sempre digo que nunca há pressa pra se escolher a profissão. Teste tudo que tiver interesse, fala experiências; ninguém pode condená-la por isso. O importante é você estar bem (quase disse feliz) sem se importar com a patuleia. Beijo de apoio. Pra tudo!

  3. Andréa março 21, 2009 às 6:00 pm #

    Respondendo as perguntas: eu acho que você deva levar a sério o que você disse. Não que seja preguiça, mas tem gente que não leva jeito pra coisa mesmo, eu não levo e sei disso, mas eu estou disposta a me esforçar. Eu acho que você deve mudar de curso. E não acho que é tarde, talvez sim, mas antes tarde ainda dando tempo de mudar do que se arrepender depois.
    você cresceu com a arquitetura e tal, isso já um plus em cima do jornalismo
    você gosta da área e ela é mais acessível, plus plus
    Arquitetura 3 x 0 Jornalismo

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