Pontos

3 jul

Com todos os encontros (e desencontros) um turbilhão de cenas se formou em minha mente, juntei as peças e formei uma enorme interrogação. Estudei cada cena, e fiz um novo encaixe, tudo em forma de exclamação. Mantive esta exclamação e a usei para carimbar uma carta que nunca lhe entreguei. Tentei várias vezes e nunca consegui, as lágrimas fizeram a exclamação voltar à sua forma original, interrogação. Dobrei a carta e em todo lugar que ia a levava junto, muitas vezes eu via no papel algo disforme, outras vezes reticências ou exclamação, mas quase sempre estava lá uma grande e eloqüente interrogação. O papel já estava gasto e remendado quando cansei de levá-lo comigo, abri e tentei apagar a interrogação com uma borracha, mas pouco depois a imagem se formava de novo. Gritei alto toda minha raiva e, também, meu medo e pude ver que na carta estava um ponto, um único ponto no canto inferior do lado direito da folha. Era o ponto final. Rasguei a carta e ao jogá-la para o esquecimento pude sorrir.

Texto antigo, guardado em algum lugar esquecido do meu computador.

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