Cold and broken hallelujah

13 jun

Faz tempo que não tenho nada em que acreditar e penso que faz parte do ser humano procurar por algo em que possa acreditar.
Quando nasci minha mãe era espírita, quando completei 2 anos ela começou a freqüentar uma igreja evangélica e eu com ela. Durante a infância tudo parece ser lindo, a escolinha dominical é muito legal e as pessoas todas parecem muito felizes, tudo parece ser uma união incrível. Quando fiz 7 anos minha mãe engravidou novamente e, mais uma vez, ela não estava casada. O pastor dessa tal igreja conversou com ela e a convenceu a “se afastar” da igreja, como se ela fosse uma vergonha para aquele lugar, uma má influência. Acho incrível como é uma contradição imensa isso tudo, alguns pastores ensinam fundamentos que muitas das vezes nem seguem, são grandes mentirosos, verdadeiros atores!
Na época não me senti “revoltada” com o que aconteceu, eu tinha idade pra entender, mas não cheguei a raciocinar sobre o que havia acontecido. Depois de ter sido convidada a se retirar, minha mãe passou por inúmeras igrejas e eu com ela. Se firmou em algumas por algum tempo, mas logo encontrava um defeito e resolvia mudar de novo. Ouvi sermões de todos os tipos, sermões calmos e quase de auto-ajuda, sermões em busca de “ofertantes”, sermões sobre o final do mundo que se aproxima, sobre como tomar conta de “célula”, como prosperar, arrumar marido, se livrar de mágoas; ouvi muitos “amém, irmãos?” e muitas vozes respondendo “amém” sem nem mesmo pensar sobre o que ouviam.
Aos 13 anos resolvi parar de seguir minha mãe, resolvi criar meu próprio caminho, me mudei para a casa do meu pai e parei de freqüentar igrejas, sou o que eles chamam de “desviada”. Desviei de quê? Do caminho que eles criaram e eu teria que seguir. As pessoas que eram próximas de mim dentro da igreja, se afastaram como se eu tivesse algum tipo de doença e pudesse infectá-los só por continuarmos amigos. Os poucos que ainda falam comigo de vez em quando ou perguntam de mim para a minha mãe querem sempre me levar de volta para o caminho deles, me fazer sentar naquele banco e ouvir alguém me dizer coisas que já ouvi inúmeras vezes.
Acredito que exista um ser maior, algo que corresponda ao “Deus”, mas o meu “ser maior” não é esse deus que nunca falha e pré-determina nossos caminhos. O meu ser maior é um ser com poderes a mais que nós, meros mortais. Acredito que possa ser mais de um, é mais fácil que seja assim já que há tanta gente e tantas peculiaridades nesse mundo. Acredito?

Voltaire disse “Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo”, Machado de Assis disse “Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento”, Nietzsche disse “Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo”, Mário Quintana disse “Mas que susto não irão levar essas velhas carolas se Deus existe mesmo”. Eu digo que concordo com todos: Algo maior existe, talvez não esse “Deus”, mas existe algo, ou “algos”. O homem se perde e acaba se agarrando à religião, alguns até se esquecem de que mais importante do que “fazer a obra” é pra quem ele está fazendo. Conheço pessoas que, mesmo sem religião definida, são muito mais centradas e bem resolvidas do que esses viciados em igreja. Talvez o melhor a fazer é se afastar de tantas regras e se permitir pensar e acreditar ao mesmo tempo, fé cega é fé alienada.

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Uma resposta to “Cold and broken hallelujah”

  1. L.G.B.Paiva junho 14, 2008 às 7:07 pm #

    Eu sou budista e muito feliz com isso, por que ninguém é capaz de me salvar, se não eu mesmo.

    E por sinal, manterá os dois blogues ou o “Clap Clap” foi-se?

    ;*

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