Just can’t let it go
janeiro 14, 2010
Eu sou do tipo que não sabe abrir mão.
Eu sou do tipo idiota.
Sempre dizem pras meninas que “você vai beijar muito sapo antes de encontrar um príncipe” ou coisas assim, mas se existem tantas pessoas erradas (os ditos sapos) quem me garante que não existem também mil pessoas certas (os tais príncipes)? As pessoas esperam demais do futuro, do desconhecido. É que nem isso de esperar segunda-feira pra começar um regime ou esperar ano que vem pra mudar tudo. Não é a virada do dia 31/12 pro dia 01/01 que vai magicamente tornar tudo mais fácil ou propício. Acho que é por esperarem demais do porvir que as pessoas acabam frustradas.
PS: Não sou contra as resoluções de ano novo e todo esse otimismo de fim de ano/começo de ano, só acho que tudo seria mais facilmente cumprido se fosse assim o ano inteiro. Não que eu seja também a pessoa mais otimista do mundo 365 dias por ano, claro.
Se é por falta de tchau…
dezembro 15, 2009
O ano em que eu estaria começando uma vida nova junto com todos os meus amigos, começando o curso que decidi que queria há anos. Ah, 2009… Não passei na UEG. Não passei na UFG. Não passei na UnB. A decisão foi: já que me ferrei em tudo que tentei, vou focar no mais difícil. E fui pro cursinho pensando na UnB como a única universidade do mundo, pensando em Brasília como a cidade mais maravilhosa. É claro que com pouco tempo cansei de tudo e as listas que, a princípio estavam todas feitas, começaram a lotar a pasta das listas a fazer. Tive Jordana, minha companheira-sorriso do dia-a-dia, e nosso diário pão-com-ovo. Foi uma decisão impulsiva (típico!) dela que me fez mudar tudo de última hora. Aulas de desenho, vestibular e… Arquitetura e Urbanismo, aqui estou. O curso é lindo e puxado, alerto a todos que se interessarem.

Começar o ano em uma viagem com os amigos só podia dizer algo sobre o resto do ano: tenho os melhores amigos que alguém poderia ter. E é claro que vou continuar afirmando isso, a cada dia eles me dão mais provas de que realmente são. O meio do ano contou com a ausência física de muitos deles, mas a presença da Aninha em praticamente todos os momentos dos meus dias fez com que minhas férias fossem as melhores desde… Desde tanto tempo que nem sei quando me diverti tanto o tempo todo, nem se tive férias melhores. De chácara a perder a conta das cervejas no Martim, de dormir vendo Scarface a festas até o amanhecer, de assistir a trilogia das cores a fotos ‘comprometedoras’ online.

Um amigo já disse algumas vezes que minha vida amorosa o diverte e posso afirmar que é mesmo uma tragicomédia. Conheci através do meu motivo de fossa um ser com quem passei praticamente o ano todo num vai-e-volta aparentemente sem fim. Me vi como parte de um desses casais-chiclete que sempre considerei imbecis, sempre pensei “por que eles não se largam de uma vez e pronto?” e agora posso responder que é porque é extremamente difícil deixar de lado quando nenhum dos dois sabe o porque de não estarem juntos quando estão separados e não conseguem se manter quando estão juntos. Tive outros pequenos rolos. Uns mais saudáveis, outros nem tanto. Nenhum duradouro, as always. Me vi como vilã sem querer ser, me vi excluindo e deletando pessoas como se não houvesse amanhã. E voltando atrás.

2009 pode ter sido chato em alguns sentidos, mas não foi tedioso. Vivi. E o que importa senão viver? Alguns dias foram todos iguais, outros tiveram seu próprio cheiro. Faltam duas semanas pro fim do ano e já me despeço. Não digo que estou com pressa pra 2010, nem quero continuar aqui em 2009, só quero férias! E pra isso preciso que o ano acabe logo, haha. Então que venha 2010 com mais 365 dias pra eu poder escrever do jeito que quiser.
As cortinas amareladas do pôr-do-sol. Ela de perfil e a luz que vinha de trás, fraca, revelando seu corpo nu através do lençol fino. O dia era quente e a voz dela ecoava sozinha por todo o quarto e dentro da minha cabeça. Ela nem percebia, mas fazia horas que eu só ouvia as palavras que fluíam sem vergonha alguma de seus lábios empolgados. Ela discorria sobre tudo o que passava por sua cabeça, atropelando assuntos, dando pequenos saltos quando lembrava de alguma coisa de sua infância e rindo sozinha de algumas lembranças bobas. Minha cena preferida era a que agora se repetia: ela balançava a cabeça pra trás com um sorriso malicioso nos lábios, primeiro em silêncio, pra logo depois pular pra cima de mim e contar bem baixinho – como se houvessem outras pessoas ali que não podiam escutar – sobre alguma sacanagem que fez quando mais nova, naquela época em que cortou os cabelos no ombro e resolveu que preto era a cor da revolução que queria fazer. Algumas vezes eu senti muita vontade de dizer algo, qualquer coisa, só pra ver se minha voz ainda combinava com a dela, mas logo desistia com medo de estragar aquele monólogo perfeito. Aquela seqüência de cenas que seria só minha. Ela não tinha idéia de como o cabelo dela ficava lindo naquele comecinho alaranjado de noite. Ondas castanhas até o meio das costas. Eu quis absorver cada detalhe daquele dia, me lembrava perfeitamente de cada pausa que ela fazia entre um assunto e outro, de como o silêncio parecia seguro com ela ali. Às vezes me perdia nos movimentos de suas mãos, pareciam uma coreografia ensaiada ao som das palavras que jorravam sem fim.
O quarto estava escuro agora, iluminado por algumas luzes que vinham da rua. As frases pareciam mais lentas, cada vez mais pausas. Fechei os olhos pra me concentrar no cheiro do quarto, o cheiro de nossos corpos preguiçosos o dia todo naquele colchão. Enfim ela se deitou ao meu lado, senti sua respiração quente no meu rosto, senti seus cílios fazerem cócegas nas minhas pálpebras fechadas.
Some Pointless and Weird Words
novembro 30, 2009
Querido, depois de um tempo perco a raiva pelo caminho e reencontro a saudade.
É óbvio esse querer voltar atrás depois de algum tempo dando voltas. O caminho é familiar, marcado por incontáveis passos idênticos entregando o sem-número de vezes que meus pés passaram por ali. Depois de algum tempo, o que reaparece é a vontade. Vontade óbvia, animal, que faz procurar por cheiros e toques familiares. Nada de mais, só vontade. Vontade óbvia. Animal.
Na arte de manter minhas promessas para mim mesma, eu sou um fiasco.
Já na arte de bater com a cabeça contra a parede repetidas vezes, ah!, nessa eu sou uma gênia. Sabe como é, a prática leva à perfeição.
crushcrushcrush
novembro 21, 2009
Peguei meus fones ao me cobrir com o edredom e comecei a viagem ouvindo aquela voz rouca tão familiar cantando meus rockzinhos. Ainda boiava no mar da semiconsciência sem conseguir afundar e me perder de vez até ser acordada pelo sol iluminando todo o quarto logo cedo, como era o planejado. Fui cambaleando até a cadeira, “invisível” conversei com dois amigos. Isso de insônia é algo que praticamente desconheço, não faço parte do encosta-dorme clube, mas durmo normalmente, tenho sono quando devo.
Desliguei o computador num só gesto e resolvi voltar ao meu mar. Deitei, me enrosquei no edredom, abracei o travesseiro e percebi que cabia perfeitamente mais uma pessoa ali. Não voltei ao meu rockzinho, dormi.
PS: Aposto como o que tenho lido recentemente tem influenciado em todas essas pequenas mudanças. Logo saberei.
Mais um, eu sei
novembro 4, 2009
“Qual é a porra do seu problema, caralho?” foi a maneira mais sutil que ela conseguiu pensar pra quebrar o silêncio. Incômodo silêncio que se formou por incapacidade de organizar os pensamentos. Dele, claro. Na cabeça dela estava tudo bem claro, extremamente claro, mais claro só dizendo tudo. E discutindo tudo.
A resposta foi mais silêncio. Se fosse possível, a cabeça dele explodiria de tanto pensar. “Mas pra que merda serve pensar tanto e não dizer nada? Que morra então!” foi a maneira menos violenta que ela encontrou pra dizer adeus. Estavam separados fisicamente, mas durante todo o silêncio estiveram naquele quarto de paredes azuis. Naquela cama que presenciou choro, sono, riso, tesão. E agora mais um adeus. Mais um adeus pra eles chamarem de deles, mais um final pra chamarmos de nosso.
“É exatamente isso: nós não funcionamos juntos. Funciona nos primeiros dias pela saudade mútua, aquela vontade mútua de um pelo outro. Mas não tem depois. É só aquilo. Depois fica vazio. Eu não quero nada pela metade.”
Taurus
outubro 25, 2009
Que pavor de voltar à rotina! Não quero ir dormir por medo de acordar na segunda-feira. É sério, por mais imbecil que possa soar. Essa loucura anti-rotina é tão típica. A vontade louca que dá na noite de domingo de sair correndo contra o tempo, de não aceitar de maneira alguma que ainda tem inúmeros trabalhos até as férias chegarem. Que desespero, meu deus, que desespero!
Eu quero o Rio. Eu quero Pirenópolis. Quero uma cerveja do bar da praça de Caldas Novas. Quero Silvânia. Quero Londres! Quero falar francês no Canadá. Quero ver tv o dia todo. Quero seus pés nos meus e não ver as horas passarem.
Mais uma vez, eu sei
outubro 15, 2009
Pode me chamar de precipitada, mas eu vi uma foto de 2007 e pensei “nossa, meu cabelo está bem parecido hoje com o jeito que era nessa época”. Logo depois pensei “mas essa carinha ingênua, fofa, ficou com o tempo”. Eu me senti… velha. Como se aquela foto com todo um ar de ingenuidade, de fofura, não pudesse acontecer de novo. Aquela é a Laurinha. Que foi.
É que, às vezes, parece que tudo passa tão rápido que mesmo os mais detalhistas perdem os momentos. Simplesmente os dias passam a ser iguais e isso é perder. Já me pego pensando no quanto estou perdendo em dias tediosos. Tem dias em que penso que não vou lembrar de nada do que vivi naquele dia, então não tem motivo ter vivido, foi só mais um dia. Qual a relevância dos dias que são só mais um?
Quando você pensa no que (não) está fazendo, dá vontade de sair e mudar tudo. Simplesmente tudo. E de uma vez só. Mas… como? Eu tenho essa vontade sempre, sempre. Eu não consigo ficar parada no mesmo lugar tanto tempo, mas sou covarde demais pra mudar algo radicalmente. E mesmo que tivesse atitude, O QUE mudar? O que eu posso mudar que não me faça jogar tudo pro alto? No final é isso mesmo: covardia. Eu tenho é medo de mudar algo e desabar todo o resto.
(Adaptado de uma conversa com o amigo Riccardo Joss)
All Is Full Of Love? ou Uma Linha e um Parêntesis
outubro 6, 2009
Às vezes eu só queria um romancezinho no estilo dos filmes água-com-açúcar pra chamar de meu.
(Lembra quando eu disse que não prometia textos pra ninguém e você disse que eu escreveria, sim, sobre você? Considere este o seu texto)


